Como lucrar com alta da moeda americana?

Como o dólar tem subido muito, tenho pensado em alocar parte dos meus recursos na moeda. Hoje tenho R$ 650 mil aplicados em poupança, com 20%, CDB (40%), VGBL (20%) e fundo de ações (20%). Que produtos existem para investir em moeda estrangeira? Posso investir diretamente lá fora?

Caro leitor, é verdade que o Real desvalorizou nos últimos tempos, mas o mercado cambial é muito volátil. Com movimentos bruscos e não contínuos, investir no exterior baseando-se apenas no movimento curto prazo pode não ser o mais adequado, deve fazer parte de uma estratégia de investimentos de médio e longo prazo.

Um dos maiores riscos que se corre ao investir no exterior é a depreciação da moeda na qual se investe. A diversificação global de investimentos é assunto muito debatido no meio acadêmico e já praticado por investidores sofisticados, e em virtude das incertezas da economia brasileira este tópico passou a ser discutido também por investidores com menos recursos. Combinando ativos com baixa correlação, a diversificação internacional é saudável e eficiente, podendo reduzir o risco e aumentar o retorno. Mas investir no exterior não é para qualquer um. O ponto de partida é entender profundamente o perfil do investidor, seus objetivos, tolerância a risco e circunstâncias. Outros pontos relevantes são as questões legais, tributárias, custos e alternativas de investimento.

Não existe valor mínimo para se investir no exterior. Considero adequado investir ao menos US$ 100 mil e que este valor não represente mais do que 30% da liquidez do investidor. Com este valor já é possível investir em títulos de renda fixa e fundos de investimentos de varejo e o custo de manutenção de conta pessoa física, que varia de instituição para instituição, não seria tão elevado. Para quem possui mais de US$ 100 mil em ativos no exterior, é obrigatório fazer anualmente a Declaração CBE – Capitais Brasileiros no Exterior ao Banco Central.

Investir no exterior pode ser feito diretamente por pessoa física abrindo uma conta em banco ou corretora lá fora, ou por intermédio de uma companhia, e cada modalidade tem suas características, custos e formas de tributação. A pessoa física é tributada da seguinte forma: i) rendimento: tributável em bases mensais (carneleão) conforme alíquotas da tabela progressiva do imposto, e ii) ganho de capital: sujeita-se ao IRPF definitivo a alíquota de 15%. Embora o investimento realizado por pessoa jurídica seja mais vantajosos sob a ótica tributária, devido ao diferimento do pagamento do imposto até que esta disponibilize lucro ou dividendo a pessoa física no Brasil, estas são estruturas complexas e onerosas, já que existe o custo de constituição e manutenção da companhia.

É possível investir no exterior por meio de produtos locais que investem parte ou a totalidade de seus ativos lá fora ou de BDRs, “ações” de empresas com sede no exterior, entretanto, para se investir em produtos locais com 100% de exposição no exterior o investidor tem que ter R$ 1 milhão, o que limita o acesso a muitos investidores interessados. A alternativa para o investidor menor é investir em fundos multimercados que permitam que até 20% de seus ativos estejam no exterior.

Sem conhecer o perfil do investidor não é possível recomendar que ele siga com a idéia de investir no exterior. Diante dos R$ 650 mil disponíveis, esta opção deixaria o portfólio muito exposto ao risco cambial. Uma alternativa é rever o portfolio abrindo espaço para investir em um fundo multimercado que invista uma parcela de seus ativos lá fora. Não desprezível, no Brasil há um custo de oportunidade da taxa SELIC, hoje em 12,75% a.a., de se investir em titulo público federal, com risco baixo e retorno atrativo.